9.1.15

A expensas de

Em que altura a blasfêmia deixa de ser crime no Ocidente e se transforma em valor a ser preservado? Quem foram entre nós os que lutaram pelo direito de se referir publicamente e da maneira mais leviana e desrespeitosa possível mesmo e sobretudo às coisas que se reputassem mais sagradas? Desde quando no Ocidente o pecado para o qual não há perdão deixou de ser o pecado contra o Espírito Santo para tornar-se o pecado contra a liberdade? Graças ao empenho de que indivíduos a liberdade se torna o único princípio do qual é indecente abjurar, pelo qual ainda é preciso estar disposto a morrer, sem o qual o Ocidente não é Ocidente? Qual o momento em que uma conquista de resto nem um pouco pacífica de forças secularizantes, e adquirida a expensas de todas as prerrogativas fundamentais da religião cristã, passa a ser um troféu erguido também pelo cristianismo, adorno característico mesmo de seus fiéis, que agora se gabam da parte numa vitória alcançada justamente contra eles?