18.7.16

Sebo

As pessoas já não frequentam estabelecimentos desse tipo, por isso cada vez mais raros. Se querem um livro, mesmo esgotado, elas o encomendam pela internet e o aguardam ser entregue pelos correios. Já não sabem o que é caminhar por entre livros desconhecedores do que terão pela frente. Chegaram finalmente a reproduzir com o livro usado a relação prática e sem mistério que estão acostumadas a ter com tudo: devolveram o livro usado ao universo impessoal do catálogo, do estoque. E isso quando, mais até do que livros, o que lugares como esse tinham a oferecer era certo tipo de experiência: a experiência da oportunidade quase única, do encontro talvez irrepetível, da convergência imponderável dos fatos.