1.1.15

A origem

Quando, no Diálogo em defesa da língua portuguesa — publicado em 1574 por Pero de Magalhães de Gândavo, o mesmo da História da Província de Santa Cruz —, o espanhol contra o qual a língua lusa vai sendo defendida alega que, se a língua portuguesa valesse mesmo o que ele estava dizendo que valia, “cual es la causa porque los mismos portugueses siendo ella suya la desdeñan, y por su boca confiesan ser ella la más tosca y bárbara del mundo?”, ele responde:
Esta nação portuguesa pela maior parte é mais afeiçoada às coisas dos outros reinos que às da sua mesma natureza, coisa que se não acha nas outras nações: porque todas engrandecem sua língua, e fazem muito pelas coisas que quadram nela, só os portugueses parece que negam nesta parte o amor à natureza. E daqui vem muitos a dizerem mal de sua língua, e consentirem na opinião dos estrangeiros, o que realmente se pode atribuir mais a ignorância que a razão alguma que a isso os mova.
Formidável explicação a partir da qual se descobre que todo o problema brasileiro com ser brasileiro, antes de ser um problema nosso, é a continuação do problema já português com não ser primeiro espanhol, depois francês, depois inglês, — e que, por muito paradoxal que pareça, dar as costas a Portugal talvez tenha sido o gesto mais português que o Brasil já realizou. 

Formas de voltar

Além de tudo, um livro sobre o “ofício estranho, humilde e altivo, necessário e insuficiente” do escritor (“passar a vida olhando, escrevendo”) e a diferença essencial, na relação com esse “livro ilegível e genuíno” que é a memória, entre o romance (“o reverso [daquele] outro livro imenso e estranho”, “que traduzimos, que traímos pelo hábito de uma prosa passável”) e a poesia (recordação das “imagens em plenitude, sem composições de lugar, sem maiores cenários”, sem “desculpas”), essas duas formas de voltar para casa. 


31.12.14

Jano

É possível que este se torne, ao longo da vida, meu poema oficial de ano-novo. Acho que já o compartilhei com esse mesmo propósito em anos anteriores, e volto a pensar nele agora em que mais do que nunca é tempo de olhar, tal qual o Jano do mês que se inicia, para frente e para trás ao mesmo tempo.
VELAS
(Konstantinos Kaváfis, trad. Ísis B. da Fonseca)
Os dias do futuro erguem-se diante de nós
como uma série de pequenas velas acesas —
pequenas velas douradas, quentes e vivas.
Os dias passados ficam atrás,
uma triste fileira de velas apagadas;
as mais próximas ainda exalam fumaça,
velas frias, derretidas e recurvadas.
Não quero vê-las; entristece-me seu aspecto,
e entristece-me lembrar seu primeiro clarão.
Adiante contemplo minhas velas acesas.
Não quero voltar-me para não ver, apavorado,
com que rapidez a sombria fileira se alonga,
com que rapidez se multiplicam as velas apagadas.

Companhia

Os gatos precisam estar o mais possível acompanhados, porque sentem muito a falta de alguém pra ignorar.

29.12.14

Notícia

O ano termina mas com a felicidade de ver uma seleção de epigramas e aforismos meus publicados no segundo volume da Revista Nabuco, no qual fazem modesta companhia a, entre outros, um ensaio muito necessário — de crítica pós-colonial — sobre o desafio que é pensar e escrever desde a América Latina em geral e do Brasil em particular, da lavra de Julio Cabrera, filósofo argentino radicado em Brasília, e um depoimento do mestre Ivo Barroso sobre Antônio Houaiss, outro gigante. O número pode ser comprado aqui e a revista assinada aqui

28.12.14

Dependência

Finalmente desfeita a última forma de dependência entre os homens, que já não precisam dos outros nem pra tirar foto em grupo.

O primeiro samba

O Brasil é cheio de circunstâncias tão maravilhosamente inexplicáveis quanto o fato de a composição reconhecida como o “primeiro samba gravado da história” ser na verdade um maxixe.

26.12.14

Espelinho da propaganda

É de conhecimento geral que os primeiros negócios entre nativos americanos e europeus se deram na base da troca, tanto de simpatias quanto de víveres por toda sorte de pequenos utensílios. Quem, aliás, nunca ouviu referência depreciativa aos índios, que se teriam vendido por meros colares?... Mas, meditando sobre os testemunhos dessas transações, é possível perceber que havia por trás delas mais do que o mero deslumbre pueril com o novo. Jean de Léry, por exemplo, nos faz saber que o interesse dos índios era significativamente utilitário. Eles dispunham-se a conceder o que os europeus solicitavam mas em troca de algo que lhes facilitasse a vida. Isto é, os objetos aceitos como pagamento eram aqueles que faziam melhor aquilo que os índios já faziam com artefatos por acaso menos eficazes. Segundo o francês, os tupinambás tinham as pinças em altíssima conta, e isso porque, como também nos informa, eles mantinham o hábito de arrancar todos os pelos do corpo, mesmo cílios e sobrancelhas. Ora, nada melhor para essa tarefa, então feita com a folha de determinada planta, do que as pinças, por isso muito apreciadas. Mais adiante Léry comenta o valor que os índios davam às facas, de grande ajuda nos frequentes sacrifícios rituais de prisioneiros de guerra: mais uma vez, não é difícil imaginar quão menos trabalhoso retalhar um homem com o auxílio do metal afiado havia se tornado — essa mesma observação podendo ser feita a respeito das espingardas em relação aos arcos e flechas etc. E foi pensando nesse uso conveniente do novo que me pareceu pertinente reavaliar a imagem pejorativa que se faz da parte indígena nesse comércio. Porque os índios não se deixavam guiar pelas novidades em si, nem permitiam que elas criassem necessidades novas e desnecessárias, digamos assim, mas antes se apropriavam das novas ferramentas sempre em função de demandas pré-existentes. Estavam, pois, definitivamente longe de ser os tolos enfeitiçados pelo brilho, os tolos do juízo injusto que fazemos. E nisso talvez tenham exercitado postura mesmo superior à que nós, modernos, apresentamos hoje, — nós sim à mercê de qualquer lançamento, nós sim adquirindo primeiro pra buscar depois alguma utilidade, nós sim entregues a qualquer espelhinho da propaganda e do marketing.

25.12.14

A imaginação

A imaginação consiste em expulsar da realidade vários seres incompletos para, com o auxílio das forças mágicas e subversivas do desejo, trazê-los de volta sob a forma de uma presença inteiramente satisfatória. É isso então o inextinguível real incriado.

(René Char)

Madeira

Os primeiros europeus a entrarem em contato com os índios não podiam mesmo adivinhar o que afinal fosse uma mandioca, razão pela qual depois voltaram pra casa espalhando que a gente por aqui chegava ao ponto de comer madeira ralada.

24.12.14

Alegoria

“Uma tormenta é menos temida em alto-mar do que próximo à costa.” — Observação meramente informativa de um relato quinhentista sobre a travessia do Atlântico implorando pra servir de alegoria.

A estrada

Álvaro de Campos: “o Destino a conduzir a carroça de tudo na estrada de nada.”

Contradição fundamental

Ninguém terá mais motivos para se queixar da vida, que afinal é sombra que passa, do que aqueles com os quais ela for mais extraordinariamente generosa; do que aqueles para os quais ela afinal seja o mais próximo possível de um paraíso, se bem que temporário, ou o mais valioso dos tesouros, a ser devolvido porém em dia que aliás só sabemos que chega sem anúncio. Dia esse — tão certo quanto inesperado, tão inevitável quanto imprevisível — em função do qual, quanto melhor for a vida de alguém, mais dolorosa necessariamente ela será. 

23.12.14

Solução

Estamos sempre recorrendo a ideários político-religiosos os mais distantes talvez porque o conhecimento livresco ou virtual ou quando muito turístico nos impeçam, providencialmente, a vivência íntima e própria da multidão de problemas colaterais inerentes a toda e qualquer solução. O que me permite supor que, se pudéssemos saber de tudo, não ousaríamos ser coisa alguma.

12.12.14

Roubo

A vez na vida que depois fiquei me sentindo mais roubado foi quando um sujeito com trejeitos de vigarista me abordou na rua pra contar de uma doença inventada de uma filha que não existia, e fingiu de forma muito mal fingida um choro que não chegava nunca até os olhos, e ainda conseguiu ao fim do papelão — até hoje me pergunto como — que eu lhe oferecesse comovido uns trocados que eu ademais sabia que me fariam falta.

Ainda

Não basta saber o que eles sabem: é preciso ainda desconhecer o que eles desconhecem.

Estabelecimento

A vida é um breve e rápido intervalo de tempo durante o qual nos dedicamos a estabelecer o que é melhor pros outros.

Civilidade

Mesmo depois dos problemas que tivemos, nunca deixou de me apertar a mão com firmeza, se bem que agora a imaginando meu pescoço. 

11.12.14

Andar

Correr, nós já nascemos sabendo. O difícil é aprender a andar. 

22.11.14

Tudo

Não fosse tudo
Como uma criança que a fingir sobe
Uns degraus que pintou no chão...

(Pessoa)

A vida

A vida é assim, Senhor?
Desabam mesmo
a pele do rosto e os sonhos?

(Adélia Prado)

Água

Há mil potes
para uma água
imutável.

(Nauro Machado)

A sorte

Renard: “Nunca tive a sorte nem mesmo de perder um trem que depois se acidentasse.”

Um monstro

Um monstro de três cabeças e dez braços. Enquanto uma diz “Sim!”, outra diz “Não!”, outra “Talvez”. Enquanto oito mãos matam e roubam, duas cuidam, consolam, se lamentam e denunciam.

19.11.14

Ben Sirac

Do livro Sabedoria de Ben Sirac, do séc. II, em trad. de Benjamin Carreira de Oliveira:
Enorme dificuldade foi criada para todos os homens,
pesado jugo para os filhos de Adão,
desde o dia em que saíram do ventre materno,
até o dia em que voltarem para a mãe comum.
O objeto de seus pensamentos, o temor de seu coração,
é a espera angustiosa do dia da morte.
Desde o que está sentado no trono, na glória,
até o miserável sentado na terra e na cinza,
desdo o que traz a púrpura e a coroa,
até o que se veste com linho cru,
não é senão furor, inveja, perturbação, agitação,
medo da morte, ressentimento, lutas.
E na hora do repouso, no leito,
o sono da noite apenas muda as preocupações:
apenas iniciado o repouso,
imediatamente, ao dormir, como em pleno dia,
ele é agitado por pesadelos,
como quem fugiu da linha de batalha.
No momento de salvar-se acorda,
admira-se de que nada havia para temer.
Assim sucede com toda criatura, do homem ao animal:
a morte, o sangue, a luta e a espada,
a miséria, a fome, a tribulação, a calamidade.
E ainda:
Como as roupas, toda carne vai envelhecendo,
porque a morte é lei eterna.
Como folhagem verdejante em árvore frondosa
tanto cai como brota,
assim a geração de carne e sangue:
esta morre, aquela nasce.
Toda obra corruptível perece
e aquele que a fez irá com ela.

Mudança

Muito surpreso porque já entre os deuses greco-romanos havia mudança de sexo. Talvez ainda não tenha chegado a ler nem uma dúzia de mitos entre as se não me engano duas centenas deles costurados por Ovídio em suas Metamorfoses, e já conto dois casos. Um deles, o do adivinho Tirésias, que foi mulher durante “sete outonos”. O outro, o de uma mulher que, depois de violentada por Netuno, pede ao deus como desagravo que lhe concedesse o favor de nunca mais correr o risco de passar por aquilo. Como? Virando homem. E virou. De Cenide passou a assinar Ceneu, adquirindo posteriormente fama de guerreiro invulnerável.

14.11.14

Ideal

Vivemos num mundo tão distante do ideal, que pra alcançá-lo só mesmo de avião. 

8.11.14

Briga

Ninguém discorda que já tudo deu errado. A única briga é decidir em que continuar insistindo.

5.11.14

Arte e realidade

Foucault: “A descrição não é reprodução, é decifração.”

Cintio Vitier, poeta cubano: “el espejo no copia al reflejar/ (el cuarto solitario/ esplende en otro tiempo fabuloso,/ el hombre que se asoma no eres tú/ sino tu víctima o tu juez)”.

A primeira

O mundo condescende com toda e qualquer forma de reação. A coisa mais importante pra quem almeja ter as más ações legitimadas é convencer de que se trata de simples reações em sentido exatamente oposto. Conseguido isso, estão abertas todas as possibilidades, apagados todos os limites. Tudo na vida se resume a determinar quem fez a merda primeiro, porque depois que se estabelece quem fez a primeira merda, estão absolutamente desculpadas todas as seguintes.

3.11.14

As cordas

Li Ye, poeta chinesa da Dinastia Tang (618-905 d.C.), trad. Ricardo Portugal e Tan Xiao:
CANTO DE SAUDADE
Profundo, dizem do mar, suas águas
tão mais ao fundo chega a saudade
Mar sem margens, larga a sua praia
e mais longe alcança meu sentimento
Tomo o alaúde, subo as escadas
só no terraço, com a lua cheia
e esta canção que diz: estou triste
toco e arrebento as cordas, as tripas

Passadismo

Ezra Pound, Canto XV:
and the laudatores temporis acti
claiming that the shit used to be blacker and richer
Ou, na tradução de Grünewald:
e os laudatores temporis acti
a reclamar que a merda já fora mais escura e fértil

Miseráveis

É 15 de julho de 1949, e Camus está no carro do poeta Augusto Frederico Schmidt, então uma grande referência nas letras brasileiras apesar de hoje completamente esquecido, — Schmidt que havia cometido a grande infâmia de enriquecer como empresário, algo indigno de um vocacionado pelas Musas, sobretudo por Musas como as dele, espirituais, místicas, bíblicas, francesas, católicas: foi dono de uma prosaica rede de supermercados, entre outros empreendimentos. Mas, como eu ia dizendo, é 15 de julho de 1949, e Camus está no carro do poeta e empresário Augusto Frederico Schmidt, e nos conta:
No automóvel, peço que não me levem a um restaurante de luxo. E o poeta emerge de seus 150 quilos e me diz, com o dedo em riste: “Não há luxo no Brasil. Somos pobres, miseráveis”, dando tapinhas afetuosos no ombro do motorista engalanado que dirige seu enorme Chrysler.
(Além de judeu e católico, poeta e empresário bem-sucedido, místico e obeso, Augusto Frederico Schmidt foi presidente do Botafogo. Que biografia.)

29.10.14

The Cantos

A pilhagem de todas as civilizações pelas hordas bárbaras de um homem só. O amontoamento, no mesmo sítio, de todas as ruínas do globo. O refluxo não digerido de mil banquetes pantagruélicos.

27.10.14

Protagonismo

Eu gosto da democracia porque tudo que ela me exige em troca da sensação de protagonismo no drama da redenção cósmica é que eu digite o número certo.

As mortes

A morte como problema a ser vencido (o pecado original, a ressurreição, a reencarnação, a necromancia). A morte como problema a ser aceito (o aproveite enquanto é tempo). A morte como solução que se aguarda (o conforto do nada, o fim das dores). Finalmente, a morte não como problema nem solução, mas como fato natural, de peso igual ao nascimento, nem um pouco digna de choro ou indisposição (tudo se transforma, reorganiza-se).

Retas paralelas

Herman Melville e Walt Whitman nasceram ambos no mesmo ano de 1819, no mesmo estado de Nova Iorque, e de pais da mesma nacionalidade, anglo-holandesa. O primeiro foi de importante família calvinista; o segundo, de uma simples família quaker. Em 1851 Melville publicou Moby Dick, sua principal obra; Whitman publicou a primeira edição de Leaves of Grass em 1855. Melville morreu em setembro de 1891, seis meses antes de Whitman, que morreu em março de 1892. Apesar de tantas proximidades, parece que nunca nem se esbarraram.

22.10.14

O sangue

Poema da colombiana María Mercedes Carranza (1945-2003), tirado de El canto de las moscas (versión de los acontecimientos), livro de 1998, composto de 24 poemas muito breves dedicados cada um a uma região da Colômbia que foi cenário de algum episódio marcante de violência. O tanto de coisas em tão poucos versos: a assonância trivial de “rosas rojas”, do 3º verso, alongada pelas sibilantes “es”/“as” do verso seguinte, o único com 7 sílabas, dividindo o poema em duas partes de três versos com 3 ou 6 sílabas cada, a primeira parte a da ilusão embelezadora (o lugar comum, o verbo “poético”: “rosas rojas esparcidas”), a segunda a do choque do desvendamento (as coisas como elas são: “No son rosas, es la sangre”); o sangue que deixa de correr nas veias pra correr em “otros caminos”, os do rio; rio que é “dulce”, isto é, de águas mais densas que a água pura, graças à viscosidade do sangue...

DABEIBA
El río es dulce aquí
en Dabeiba
y lleva rosas rojas
esparcidas en las aguas.
No son rosas,
es la sangre
que toma otros caminos.

O eco e o terror

Homero, Ilíada, IV, 446-455, trad. Frederido Lourenço:
Quando chegaram ao mesmo sítio para se enfrentarem uns aos outros,
brandiram todos juntos os escudos, as lanças e a fúria de homens
de brônzeas couraças; e os escudos cravados de adornos
embateram uns contra os outros e surgiu um estrépido tremendo.
Então se ouviu o gemido e o grito triunfal dos homens
que matavam e eram mortos. A terra ficou alagada de sangue.
Tal como os rios invernosos se precipitam das montanhas,
atirando juntos o enorme caudal para a embocadura de dois vales,
e das poderosas nascentes vêm lançar as águas num oco desfiladeiro,
e lá longe nas montanhas o pastor chega a ouvir-lhes o estrondo —
assim era o eco e o terror dos que embatiam uns contra os outros.

19.10.14

Peculiaridade

Só mesmo o Brasil pra dar ao mundo essa espécie tão peculiar de artista recluso: o artista recluso que sempre aparece.

18.10.14

A lembrança

Havia dias em que a única razão por que não abandonava os livros pra se fazer motorista de ônibus era a lembrança de que não sabia dirigir. 

O fim

O mundo está pra acabar desde o anoitecer do primeiríssimo dia, que já Adão temeu que fosse último. 

17.10.14

Silêncio perfeito

QUANDO OUVI O ASTRÔNOMO ERUDITO

Quando ouvi o astrônomo erudito;
Quando as provas e as cifras foram dispostas em colunas à minha frente;
Quando me apresentaram mapas e diagramas para os somar, dividir e mensurar;
Quando, sentado, ouvi o astrônomo, no auditório onde ele palestrava sob aplauso;
Logo e sem explicação fiquei cansado e farto;
Até que, me levantando e saindo, caminhei a sós,
Pelo úmido e místico ar da noite, e a intervalos
olhava em perfeito silêncio pras estrelas.

§

WHEN I HEARD THE LEARN'D ASTRONOMER

When I heard the learn’d astronomer;
When the proofs, the figures, were ranged in columns before me;
When I was shown the charts and the diagrams, to add, divide, and measure them;
When I, sitting, heard the astronomer, where he lectured with much applause in the lecture-room,
How soon, unaccountable, I became tired and sick;
Till rising and gliding out, I wander’d off by myself,
In the mystical moist night-air, and from time to time,
Look’d up in perfect silence at the stars.

(Walt Whitman)

16.10.14

Prêmio

Prêmio de pior melhor metáfora da literatura ocidental (pior pelo mau gosto, melhor pela propriedade) para o pré-socrático Empédocles de Agrigento, que, segundo a tradução na qual o li, aparece chamando o mar de o “suor da Terra”.

A quantidade

“Não compensa nem um pouco ir a um show de jazz. A pessoa paga por uma hora de apresentação, durante a qual tem a oportunidade de ouvir — o quê? — três músicas? Um roubo...”

Solução

Buscando esvaziar um recipiente com água já até a metade, não bastará que o deixem apenas de encher. Outra medida indispensável será entorná-lo.

Origem

Sonhei que lembrava a Ilíada a quem reclamava comigo de o samba só falar de abandono e traição. “A literatura ocidental se inaugura com o drama de um corno.”

12.10.14

Equívoco

Estranho equívoco do repertório poético ocidental: as duas estrelas brilhando nos olhos da gente clara feito o dia. 

10.10.14

Injustiça

Se há uma coisa na vida que ele em hipótese alguma admite, é que se cometam injustiças na sua frente, razão pela qual vira rapidamente as costas.