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27.9.20

A vida é sonho: As Mil e Uma Noites, Calderón de la Barca e Liezi


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Badruddin é levado enquanto dorme de uma cidade a outra para se casar com a prima, de cuja cama na mesma noite é retirado durante o sono para acordar numa terceira cidade, onde vive 17 anos até ser reunido novamente à mulher. Isso em As Mil e Uma Noites

Em A Vida é Sonho, de Calderón de la Barca, o filho de um rei é criado desde o nascimento num calabouço, do qual um dia é retirado enquanto dorme para ser reconhecido filho do rei, posição da qual é logo depois levado dormindo de volta ao calabouço. 

Antes de tudo isso, Liezi conta do rei que sonhava todas as noites que era escravo e do escravo que sonhava todas as noites que era rei.

9.5.20

Lucro e prejuízo

Um antigo príncipe chinês tinha tanta consideração pela vida, que gostava de celebrar o Ano Novo dando liberdade a todos os animais cativos dentro de seus domínios. Como forma de incentivar a benevolência dos súditos, o príncipe oferecia certa quantia por cada animal libertado. O resultado foi que a população passou a aprisioná-los em muito maior número ao longo do ano. Algo semelhante aconteceu em realidade bem mais próxima à nossa, como as campanhas sanitaristas do século XIX. Lutando pelo controle da população de ratos nos centros urbanos, as autoridades tiveram a ideia de oferecer recompensa por cada rato apresentado morto. Dessa vez o resultado foi que logo as pessoas passaram a criá-los no quintal de casa... A grande lição desses episódios — pelo menos segundo uma leitura taoísta — é como toda ação também produz necessariamente o resultado contrário ao pretendido. Até por isso faz muito sentido que ambos os casos, separados por milênios, tenham em comum justamente serem determinados pela mesma lógica do lucro, talvez a coisa desde sempre mais inseparável do prejuízo.

2.5.20

A maneira correta de roubar

Lie Tsé conta a história de um homem pobre que foi até um rico perguntar qual havia sido o caminho para a riqueza. O rico lhe respondeu que havia acumulado riqueza roubando. A partir desse testemunho, o pobre começou a pular muros e a invadir casas. Algum tempo depois, acabou preso. Confuso com o fracasso do método, voltou a procurar o rico assim que lhe foi possível. Este então lhe explicou que o pobre havia sido preso porque estava roubando errado, e que o jeito correto e bem reputado de roubar, utilizado com sucesso por ele e por outros ricos, era diferente, e consistia na verdade em cercar um pedaço grande de terra e chamar de seu, depois juntar um punhado grande de animais e chamar de seu, chamar de seu também os rios que porventura existam nesse pedaço de terra, e também os peixes que vivem dentro desse rio, e assim por diante com a madeira das árvores, e a pele dos animais, e com o que há de valor enterrado no chão, etc.